quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dia dos pais com churrasco

Quem me conhece sabe que mesmo torcendo o nariz quando somos convidados para um churrasco, vou, pois penso que não posso exigir que todos deixem de comer carne por minhas convicções. Quando as crianças não existiam, eu tirava de letra, normalmente almoçava antes ou levava algo mais elaborado para comer; mas agora, minha preocupação e meu desespero são visíveis.

Como agir se as crianças quiserem experimentar? Explico que aquilo é uma parte do boizinho, que foi morto pra satisfazer o paladar das pessoas? Como falar de hábitos alimentares para crianças menores de 3 anos, que só entendem o que é certo e o que é errado e não aceitam meio termo? Como explicar que na família apenas eu não como carne? Todas essas questões me assombram desde antes da gravidez. E, embora eu tenha estudado a teoria, na prática, a coisa é um pouco diferente.

O fato é que comecei a perceber que não posso mais manter meus vegetarianinhos na redoma e que adiar situações desse tipo só pioram as coisas. Eles já têm uma certa independência, observam (e muito) as pessoas e apresentam curiosidade alimentar. Então, decidimos, de última hora, aceitar participar de um churrasco em um clube, para comemorar o Dia dos Pais, juntamente com parentes e amigos, todos carnívoros.

Para que não ficasse só no ritual da carne, levamos outras opções que as crianças gostam e que podem ser assadas na churrasqueira, como brócolis, couve-flor, queijo coalho, batata e milho. Tirando o queijo coalho, o resto foi um desastre. As crianças só comeram arroz e queijo, pois inventei de temperar o brócolis e a couve-flor com shoyo e elas detestaram -  alguns carnívoros aprovaram. O milho e a batata demoraram demais e descobri que deveria tê-los levados prontos, cozidos, que seria mais tranquilo. Mesmo assim, não foi o bicho de 7 cabeças que imaginei. As pessoas me respeitaram e não ofereceram carnes aos pequenos e nem fizeram piadinhas infames e eles não pediram pra experimentar, estavam mais interessados em correr na grama e brincar na piscina.

Quando viram o pequeno sobrinho deles comendo um pedaço de frango, percebi a curiosidade e lhes disse que aquilo eles não comiam, mas que tinha queijinho assado se eles quisessem, foi a festa!

De tudo, algumas lições aprendi: não sofrer por antecedência fazendo previsões dos acontecimentos; dividir a responsabilidade pela escolha da alimentação dos filhotes com todos que saibam disso (ou seja, ou respeitam ou terei motivos para não ir da próxima vez) e; não inventar novos temperos ou forma de preparo do alimento, de última hora, principalmente quando os gourmets são crianças.

2 comentários:

  1. Ahahahaaha! Você preocupada com os adultos e logo o Vitão foi querer desvirtuar as crianças???ehehehehehe..."Milo da paia" a carnívora aqui abraça tbm!! Beijos

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  2. Num é! Preciso de um plano B com o "Bitu nenê" hehehe. Milho concorrendo com as carnes na churrasqueira é difícil, pois tem que assar encostado na brasa, mas aos poucos eu acho uma saída.

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