domingo, 3 de junho de 2012

O "espermadodói" tem que achar o óvulo pra formar o bebê

*imagem extraída da internet

A educação sexual começou cedo aqui em casa e sempre foi tratada com muita naturalidade, respeitando os limites de compreensão de cada um.
Desde pequeninos, já observavam que eram diferentes. A Luíza tinha vagina e o Miguel tinha pênis (até hoje preferem o som em inglês “pinis”e vajaina” ou, carinhosamente, “piupiu e perereca).

Aos três anos queriam ver como foi o nosso casamento e ficaram indignados quando disse-lhes que não estavam na festa. Também mostrei-lhes o vídeo do parto, que os deixou tão fascinados, a ponto de um deles dizer que queria ser obstetra, para ajudar os bebês a nascerem e, a outra, pediatra, pra cuidar dos bebês. Notei também o interesse que eles tinham em trabalhar juntos, mas com funções diferentes; achei bacana isso.
Explicamos a eles que para fazer o bebê “tinha que pegar um pedacinho do papai e juntar com outro pedacinho da mamãe”. A cada explicação os olhinhos iam para cima e a imaginação corria solta. Na medida em que perguntavam íamos respondendo de forma que eles pudessem compreender.

Recentemente, recebemos a maravilhosa notícia de que a “Manona”(irmã mais velha) está grávida e que eles serão titios novamente. Ao contar a novidade pra eles, o Miguel disse com propriedade: “O papai do céu pegou um pedacinho do “Titio Cunhado” e um pedacinho da “Manona” e colocou na barriga dela.” E ao saber que o “bebê” já estava com 0,5 cm, a Luíza perguntou: “Já nasceu?”
Senti que a curiosidade estava dando muito espaço à fantasia; havia uma necessidade de explicar melhor as coisas. Perguntei-lhes: “Vocês sabem onde o bebê estava antes de ir pra barriga da mamãe dele?” E eles prontamente: “No céu.” Vi que a conversa ia ser delicada e exigia mais informação, porém com muita naturalidade. Então disse-lhes, rindo: “um pedacinho do bebê fica no "saquinho" do papai e outro pedacinho fica na barriga da mamãe”. Eles começaram a rir e repetir espantados: “No 'saquinho' do papai!”Sim, eu disse. O nome desse pedacinho é espermatozoide e ele mora bem feliz no “saquinho”do papai junto com um monte de outros espermatozoides. Sabem como é o espermatozoide? É uma bolinha com um rabinho. E o nome do pedacinho da mamãe que precisa pra formar o bebê é óvulo, e tem a forma de uma bolinha.

Não dá pra descrever a expressão do rostinho curioso e fascinado dos dois enquanto explicava-lhes sobre o início da vida. Muito menos a minha satisfação e encantamento em poder discorrer sobre esse milagre a eles. Aí veio a clássica pergunta: “E como que o danadinho do ‘espermadodoi’ faz pra se juntar com o óvulo?”
Não tive como fugir de uma explicação mais detalhada de como se dá essa “conexão”, para que o “espermadodoi” viaje do “saquinho” do papai até chegar na barriguinha da mamãe. E continuei: O espermatozoide tem que nadar muito rápido com o rabinho dele. Lá dentro é tudo escuro e ele precisa achar o óvulo. Quando o espermatozoide mais rápido encontra o óvulo, ele entra e perde o rabinho que servia pra ele nadar. O óvulo se fecha, não deixando nenhum outro espermatozoide entrar; a partir daí, o bebê começa a ser formado e vai crescendo, crescendo, durante 9 meses até não caber mais na barriga da mamãe, quando chega a hora de nascer. E tem uma coisa muito importante, pra fazer o bebê só pode ser adulto com adulta e de preferência que sejam casados, pra ter melhores condições de cuidar dele. O bebê precisa do amor e dos cuidados do papai e da mamãe, pra continuar crescendo saudável e feliz. Não é lindo? Gostaram?”

Os dois sorrindo acenam que sim com a cabeça e saem correndo contar a novidade ao papai: “Papai, papai, O “espermadodói” tem que achar o óvulo pra formar o bebê!”

3 comentários:

  1. Que emocionante essa experiência, Tassi! Beijos da Magali

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    1. É lindo de ver a alegria que eles têm pelo conhecimento, Magali. Realmente emocionante. Beijos

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  2. Tenho certeza de que essa alegria é de via dupla. :-)

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