quarta-feira, 10 de março de 2010

Bebês Vegetarianos


A emoção de ver o rostinho dos meus filhotinhos pela primeira vez foi única, sem precedentes. As pediatras me mostraram a Luíza e em seguida o Miguel. Lindos, meus pequenos nasceram perfeitos, saudáveis e indicando que eu tinha feito tudo direitinho durante a gravidez.

Tudo estava bem, eu muito feliz lambendo as crias, mas uma coisa inquietava: o leite não descia e a causa, segundo os médicos, estaria na cesareana e na cirurgia plástica redutora de mama que havia feito há muito tempo, para evitar problemas de coluna. Fiquei arrasada! Então eu não poderia amamentar meus filhos?!

Solicitei leite materno, do banco do hospital, mas fui informada de que só forneciam para bebês prematuros ou com problemas, o que não era o caso dos meus filhos. Operada, fragilizada e frustrada por meu leite não descer, tive que me conformar em alimentá-los com leite industrializado de soja, próprio para bebês, para não correr riscos de perda de peso e complicações na saúde deles.

Meu médico prescreveu um medicamento que ajuda na liberação do hormônio chamado ocitocina, responsável pela ejeção do leite na amamentação e orientou-me a oferecer primeiro o peito e depois complementar com o leite artificial. Aos poucos o leite foi aparecendo, mas a quantidade não era suficiente para satisfazer os dois.

Continuei seguindo a orientação médica e complementando a amamentação, com o que consegui que a Luíza mamasse no peito até os 7 meses e o Miguel até 1 ano e meio. Sempre foram crianças tranqüilas e saudáveis; gosto de pensar que meu leite e o aconchego do meu peito contribuíram para isso também. A primeira gripe que pegaram foi depois de 1 ano de idade, mas isso é uma outra história.

Houve um momento em que eles apresentaram uma intolerância ao leite de soja. A Luíza tinha dificuldades em evacuar e o Miguel, embora evacuasse bem, apresentava uns vermelhões ao redor da boca. O pediatra sugeriu que eu experimentasse o leite de vaca modificado e esses problemas foram resolvidos.

Quando eles completaram 5 meses, além do meu peito e da complementação com o leite industrializado, passei a dar também frutas (maçã, mamão, banana, pêra, abacate), sucos (manga, laranja pêra, laranja lima, tangerina, carambola) e papinhas

Com orientação da nutricionista e seguindo dicas do livro "Mamãe eu Quero" da Sonia Hirsch, fazia a papinha dos pequenos com os seguintes ingredientes:

- um cereal ou carboidrato (arroz integral do tipo cateto, cevadinha, aveia em grão, macarrão integral, batata, batata doce, mandioca);
- uma leguminosa (ervilha partida, feijão azuki, lentilha);
- levedo de cerveja;
- dois ou três vegetais cozidos no vapor (abóbora, chuchu, cenoura, vagem, abobrinha, beterraba, berinjela, couve-flor, brócolis);
- um folhoso verde (couve, espinafre, mostarda, escarola);
- uma proteína (tofu, quinua, seitan (glúten), gema de ovo bem cozida - a clara do ovo não deve ser consumida antes do 1° ano de vida , por ser potencialmente alergênica);
- salsinha (rica em cálcio e vitamina C);
- um fio de azeite, com acidez menor que do 0,5 %, depois de tudo pronto (não se deve aquecer o azeite para não transformá-lo em gordura ruim).

Tudo bem colorido, ainda que depois de misturado e amassado ficasse de uma só cor.

No início amassava tudo com o garfo e depois passava na peneira. Depois, só amassava com o garfo e após um ano passei a não amassar mais os alimentos para estimular a mastigação. Os dentinhos deles tardaram a nascer.

Sempre dei preferência a produtos orgânicos. Não coloquei sal na comida deles até os dois anos de idade e isso facilitou muito a aceitação dos alimentos. Açúcar, só mascavo e bem pouquinho. Mel, a partir de um ano e meio (o mel não deve ser dado para crianças abaixo de 1 ano de idade, pelo risco de botulismo infantil).

E assim eles vão seguindo, sem carne, sem anemia, sem carência nutricional, peso e altura absolutamente normais e saudáveis sob todos os aspectos.

Foto 1: Miguel e Luíza nas primeiras horas de vida
Foto 2: Eu amamentando os filhotes ao mesmo tempo

Nenhum comentário:

Postar um comentário