segunda-feira, 1 de março de 2010

Vegetariana, grávida de gêmeos e mãe de quatro gatos

Optei pela alimentação ovo-lacto-vegetariana em 2004, dois anos antes de engravidar. Uma das minhas maiores preocupações foi a de obter uma dieta vegetariana equilibrada e balanceada para assegurar o desenvolvimento normal e saudável dos meus bebês. Apesar de ter lido muita coisa e me informado a respeito das necessidades nutricionais nesta fase, tive o cuidado de fazer um acompanhamento nutricional para garantir que tudo corresse bem.

Mesmo com enjoos dobrados e intermináveis no primeiro trimestre, considero que minha gravidez foi tranquila, sem problemas com pressão alta, diabetes gestacional ou doenças virais; apenas uma leve anemia no final, contornada com 3 sessões de ferroterapia. O médico me explicou que no último trimestre o bebê absorve algumas das reservas de ferro da gestante, que ajudam a evitar a anemia nos primeiros meses de vida - no meu caso, dois bebês me absorvendo. Explicou, ainda, que eu perderia sangue em decorrência do parto, que estava próximo, por isso não haveria tempo de aumentarmos as taxas com apenas complementos de ferro e reforço na alimentação. E era de suma importância que eu estivesse bem pra amamentar e cuidar dos pequeninos.

O fato de ser vegetariana não significa que eu não cometa pecados. Sou alucinada por doces, procuro me controlar, mas quando não consigo, tento compensar nos outros dias. E já pude observar em mim que esse inocente prazer, combinado ao cunsumo de leite e derivados, ocasiona baixa de resistência e, consequentemente, facilita o aparecimento de doenças no trato respiratório.

Além de procurar consumir uma alimentação bem variada e colorida, que incluía ovos, leite, queijo branco, tofu, glúten, cereais integrais, leguminosas, oleaginosas, legumes e verduras (preferencialmente orgânicos), aumentei a ingestão dos folhosos verde-escuros, como brócolis, couve, rúcula e agrião, por conterem uma boa quantidade de ferro, ácido fólico e cálcio. Para aumentar a biodisponibilidade de ferro e melhorar sua absorção, combinei com alimentos ricos em vitamina C, tomando o cuidado de não ingerir laticínios logo após a ingestão dessa combinação. Consumi, também, quatro tipos diferentes de frutas todos os dias e me alimentava a cada três horas. Evitei frituras, açúcar refinado e refrigerantes. Moderei o consumo de sal, dando preferência ao sal marinho moído e iodado. Bebi muita água (3 litros, em média, por dia). Também fiz uso de um complemento vitamínico indicado pelo meu ginecologista a todas as suas pacientes gestantes.

A posição dos filhotes não era favorável ao parto normal e como eu não queria que eles corressem risco algum, meu médico e eu optamos por fazer a cesareana com 37 semanas de gestação, que é considerada a termo para gêmeos.

Engordei apenas 20 kg e como resultado de todos esses cuidados, meus filhos nasceram muito saudáveis. A Luíza pesando 2,760 kg e medindo 45,5 cm e o Miguel pesando 3,105 kg e medindo 47 cm. Meu obstetra me disse feliz e satisfeito: "Parabéns, mamãe! Parece que estavam cada um em uma barriga!"

Não bastasse o fato de ser vegetariana, eu ainda cuidava de quatro lindos gatinhos (hoje, apenas três). Muitas pessoas me perguntavam: "e agora, o que você vai fazer com os gatos? Vai doá-los? E a toxoplasmose?" Não há motivos para me desfazer deles, eu respondia. Em primeiro lugar porque nunca passou pela minha cabeça doar um filho. Filho sim, pois mãe também é aquela que cria, mesmo que a cria seja um animal não humano. Em segundo, porque a toxoplasmose é transmitida apenas pelo contato e ingestão de urina ou fezes de gatos contaminados e eu deixei a terefa de limpeza da caixinha de areia deles para outra pessoa, ou quando não tinha jeito, lavava as mãos imediatamente após o manuseio, como sempre fiz a vida inteira. É uma questão de higiêne. Depois, segundo informações, o maior índice de transmissão da toxoplasmose ocorre pela ingestão de carnes contaminadas, mal cozidas, especialmente a de porco.

E assim, com muito amor, dedicação, informação, saúde e sem toxoplasmose, para despeito de alguns, tudo deu certo.

Foto 1: Meu barrigão de 32 semanas
Foto 2: Eu e o meu eterno Ministro.

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